
Mais um dia corrido e com muitas filas pelos corredores do Convention Center.
Num dos salões principais, a aguardada sessão com os showrunners e atores de Westworld, série que vem ganhando milhões de adeptos pelo mundo e que deve estrear sua segunda temporada muito em breve. Acreditem: eram andares e mais andares de filas. Metros incontáveis de pessoas. E eu era uma delas.
A organização do evento, extremamente profissional, colocou aquele mundaréu de gente na sala a tempo de que a sessão começasse no horário. Olhos e ouvidos atentos para saber mais sobre a trama, sobre a franquia da marca, sobre o storytelling de um mundo paralelo, onde robôs quase humanos participam de uma realidade de Disneylândia para adultos.
Ali, era recorrente a conversa sobre o valor da trama que surpreende o telespectador a todo momento, que não o deixa confortável, que não entrega fácil o que ela se propõe. A escolha das músicas para a trilha da série, que aparentemente não se encaixam na trama, são absolutamente propositais justamente para causar estranheza e também amor. Claramente a maior parte da audiência dessa sessão era formada por “lovers”, que puderam ver em primeira mão um clip-preview da nova temporada (incrível, por sinal).
A não linearidade, a estranheza, o não casamento óbvio entre trama e trilha só reforçam que vivemos em tempos realmente distintos daqueles nos quais aprendemos a contar histórias. As regras mudaram. Que bom!
Antes de terminar essa conversa cheia de ótimos achados, a cereja do bolo tomou o palco. Elon Musk – ele mesmo! – chegou de surpresa, sem avisar, fora do protocolo, e tomou de arroubo a audiência já apaixonada. Pop star dos novos tempos, visionário milionário empreendedor, Elon Musk foi recebido aos gritos, fotos e vídeos. Não perdeu a oportunidade de mostrar ao que veio, compartilhando com a plateia seus feitos. Mostrou o vídeo sobre ter mandado seu Tesla para o espaço, literalmente, reforçando sua visão do homem em Marte ou em qualquer lugar que ele, Elon, sonhe e banque levá-lo.
Só mesmo em Austin, aqui no SXSW, para, num mesmo palco, termos a possibilidade de enxergar a convergência absoluta de duas forças culturais inegáveis: histórias bem construídas e bem contadas que apaixonam e o símbolo de sucesso global personificado no visionário milionário capaz de tudo.
Mais mobilizador, impossível.
Fonte: M&M